domingo, 28 de fevereiro de 2010

Comboios

Gosto muito de comboios. Sempre gostei, mas agora como ando mais neles o amor cresceu (lol). Adoro ir num comboio a observar as pessoas e a imaginar as suas vidas. Sei que é um pensamento um bocado cliché mas pronto eu também gosto de clichés.
Na minha última viagem sentei-me à beira de um rapaz, ou melhor quando me sentei não estava ninguém, mas afinal estava lá um rapaz. O rapaz ia a ler um livro de Donald Trump sobre como ganhar milhões e eu achei interessante, porque o rapaz que queria ganhar milhões trazia o livro dentro de um saco de plástico e não tinha lenços de papel. E vocês perguntam "Como é que ela sabe que ele não tinha lenços?" Porque ele espirrou e procurou um lenço e como não encontrou, limpou disfarçadamente a mão às calças, e eu pensei "Ora aqui está uma pessoa que eu não quero cumprimentar e se todos pensarem como eu dificilmente este rapaz vai ganhar milhões…" O rapaz tinha outra particularidade, lia semi-alto e com uma expressão facial muito diversificada. Mas no final agradou-me pensar que ele ia ganhar milhões, talvez com a indústria de lenços de papel e que eu, Ana Rita estive sentada durante 40 minutos ao lado do futuro Donald Trump português.
Por outro lado eu ia a ler um livro chamado "Realidades de Humo" de uma jovem escritora espanhola, muito semelhante à Margarida Rebelo Pinto, só por dizer que tentava ser mais profunda (eu disse tentava!) e não escreve tantos palavrões. Agora percebem a razão de estar tão atenta ao rapaz que estava ao meu lado.
Numa outra viagem vim à beira de uma rapariga que falou o tempo todo ao telemóvel. A rapariga contava a história de vida do seu amigo Raimundo à sua amiga Margarida. Segundo ela o Raimundo precisava de se decidir sobre o que fazer da vida e a Margarida, pelo que percebi, concordava. E enquanto a escutava apercebi-me que esta necessidade de estarmos permanentemente "online" nos faz perder toda a nossa privacidade. A rapariga não se apercebeu (ou não se quis aperceber) que toda a gente estava a escutar a conversa dela.

Numa simples carruagem de comboio toda a gente pode saber da nossa vida.

Neste caso não precisei de imaginar nada da vida dela, ela fez questão que toda a gente soubesse. A vida dela e do Raimundo! :P


Ana Rita*

2 comentários:

Unknown disse...

Meto me debaixo dum comboio,lol
Helena

IndiZÍveiS disse...

looooooooooooool

Rita*